Em dois anos, 10% das empresas de ônibus urbanos do País deixaram de operar e quase 70% estão endividadas

Entre 2014 e 2016, o Brasil perdeu 56 empresas de ônibus que prestavam serviços urbanos e metropolitanos em diversas regiões.

A maior parte delas, 44, entrou em falência ou encerrou as atividades enquanto que 12 não participaram ou foram derrotadas em processos de licitação e não continuaram no setor.

É o que aponta uma pesquisa inédita da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos realizada pelo Instituto FSB Pesquisa.

O número de empresas que deixaram de operar corresponde a 9,9% do total de filiadas da entidade, que representa mais de 550 viações em todo o País.

Além disso, revela a pesquisa, 67,6% das empresas de ônibus em todo país estão endividadas, sendo que a maior parte, quase 30%, possui apenas dívidas públicas.  Deste universo, 30% são dívidas com a Previdência Social:

Como já mostrou o Diário do Transporte na edição desta quinta-feira, uma das causas para a situação complicada das empresas de ônibus no Brasil é a queda de demanda de passageiros.

O total de pessoas transportadas caiu 16,5%, despencando de 382,4 milhões de passageiros transportados para 319,3 milhões de 2014 a 2016. A pesquisa usou como universo de amostra, 225 empresas em 115 municípios brasileiros, com uma frota total de 32.349 ônibus.

Com a queda da demanda, foram demitidos mais de 7 mil trabalhadores: em 2014 o setor contratava 140,6 mil trabalhadores, e terminou 2016 com um efetivo de 133,5 mil funcionários.

A falta de prioridade aos transportes públicos no espaço urbano e nas decisões políticas dos gestores, a crise econômica que diminuiu a quantidade de trabalhadores circulando todos os dias nas cidades, entraves em relação a licitações e distorções tarifárias explicam em parte essa queda de demanda e a situação difícil das empresas de ônibus e dos trabalhadores do setor.

A NTU defende formas de financiamento das passagens de ônibus que não recaiam apenas sobre os passageiros pagantes, como é o atual quadro. Hoje as tarifas são caras para os que pagam, mas são insuficientes para bancar os custos de operação e aumentar a qualidade dos serviços.

Uma das alternativas apresentadas pela associação é a Cide Municipal, um imposto sobre combustíveis que seria destinado ao custeio das passagens de ônibus. A lógica é que o transporte individual, que ocupa muito mais espaço e transporta muito menos gente nas cidades, ajude quem utiliza o espaço público de forma racional e contribui para a redução de poluição ao se deslocar de transporte coletivo.

Estudo da associação mostra que apesar de a Cide representar o impacto de 6% no do preço dos combustíveis, pode contribuir em 0,40% de redução do IPCA-  Índice de Preços ao Consumidor Amplo, uma deflação por causa da queda dos valores das passagens de ônibus e também das subvenções necessárias ao transporte público, dinheiro que sai dos cofres das gestões municipais e estaduais.

Uma das questões sobre o financiamento dos transportes e as tarifas que, de acordo com a entidade, precisa de uma nova realidade, são as gratuidades e benefícios.

Segundo a pesquisa, do universo das empresas sondadas, as gratuidades correspondem hoje a quase 20% de todos os passageiros transportados, sendo que o impacto na tarifa desses benefícios é de 16,4%. A maior parte destas gratuidades é bancada pelos passageiros pagantes, já que são poucas as cidades em todo o país em que existem subsídios.

Outro problema é a falta de políticas públicas e o uso eleitoreiro em relação às tarifas.

A pesquisa mostra que entre os anos de 2014 e 2016, mais de 25% das empresas de ônibus ficaram sem reajuste da tarifa anual previsto em contrato . Os custos de insumos aumentaram e na maior parte dos casos não houve complementação por meio de subsídios.

Diário do 

Fonte: Diário do Transporte

Repórter: Adamo Bazani - jornalista especializado em transportes

 

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