Quem está na Paraíba para começar a avaliar e construir sua volta à vida pública é o ex-senador Ney Suassuna. São duas, apenas, as alternativas à frente: se vai encarar a disputa ao Senado Federal ou deixar de vez a cena política. Voltar ao Senado é um sonho que Ney Suassuna nunca escondeu.

Considerado uma das figuras mais folclóricas da política paraibana pelo estilo 'bonachão', "o trator", como é carinhosamente tratado pelos amigos, se mantém com a lembrança de seu nome ainda fisgado no imaginário coletivo, segundo pesquisas de opinião publica, porque quando do exercício do mandato senatorial construiu a imagem de um parlamentar trabalhador, carreador de recursos para os municípios.

Desde quando deixou o Senado em 2006, de lá para cá nenhum senador paraibano repetiu até agora a mesma performance de Ney no campo fazedor, operacional e de atração de investimentos para o Estado.

Não por acaso, adotou como slogan "o senador trabalhador", em alusão a força e a influência em Brasília, colocadas à prova, momento de trazer recursos para a Paraíba. Durante 12 anos de mandato, Ney foi escolhido 11 vezes pelo DIAP como um dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso e ministro da Integração Nacional. José Maranhão (PMDB), Raimundo Lira (PMDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB), por exemplo, não tem o mesmo desempenho de Ney no Parlamento.

Mas, independentemente dessa análise conjuntural, o ex-senador é tachado por muitos aliados como omisso em momentos especiais da política recente. Ele se defende dizendo que até hoje tem acompanhado os fatos políticos do Estado, embora em velocidade bem menor motivada por entendimento próprio de que só mais na frente deverá acelerar um projeto político. Viável, por sinal. 

Ora, se Ricardo permanece no governo até o fim gera a possibilidade de uma disputa acirrada, em igualdade de condições, das duas vagas para o Senado. – Os dois atuais senadores que devem tentar a renovação de seus assentos não terão vida fácil em 2018. Cássio enfrenta desgastes provocados pela sua relação com o senador mineiro Aécio Neves. Lira também padece com a situação do governo Temer por estar justamente na liderança do PMDB no pior momento do partido em toda a sua história.

Um cenário que pode abrir espaços para Ney, bem como para outros possíveis postulantes, a exemplo de Wilson Santiago (PTB) e Luiz Couto (PT). Em torno dessa conjuntura, ainda será preciso entender como ficará o processo de alianças partidárias, os efeitos da disputa presidencial no contexto estadual, além da performance de Ricardo Coutinho no governo.

Como prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, Ney desembarca com conhecimento de causa. E mais vivo do que nunca.

Ytalo Kubitschek - RPN Online

Outros Podcasts