Cineasta paraibano conta como o premiado filme 'Rebento' levou 10 anos para ser lançado

No dia do cinema brasileiro, paraibano André Morais fala ao G1 sobre projeto que levou 10 anos para ser idealizado, filmado e lançado

Foto: Saullo Dannylck/Divulgação
Por Ângela Duarte há 4 meses

G1

Rosa, Maria, Ana. Uma mulher, um crime, um fruto. "Rebento", filme paraibano que levou 10 anos da idealização ao lançamento, em 2018, já percorreu mais de dez festivais e premiações Brasil afora, vencendo os prêmios de melhor filme no Diorama International Film Festival, na Índia, e no Festival Internacional de Cinema Independente, em São Paulo.

Rebento conta a história desta mulher, de diversos nomes ao longo do filme, e do crime que cometeu. Não se sabe quem ela é, nem os motivos para ter cometido tal crime. Ela abandona sua casa e família, e anda em busca de um destino, também desconhecido.

Cheio de mistérios e estrelado por Ingrid Trigueiro, o elenco principal também conta com Zezita Matos, Fernando Teixeira e Zé Guilherme Amaral. O filme é dirigido por André Morais, natural de João Pessoa.

André conta que o processo de criação e execução de Rebento, que foi selecionado no edital Walfredo Rodriguez, foi longo.

“Rebento é um projeto de 10 anos, um projeto bem longo de elaboração até chegar às filmagens e ao lançamento. Ele foi aprovado em 2012/2013, a gente filmou em 2015 e estreou em 2018. Foi um intervalo grande porque teve um tempo de elaboração do trabalho e também de ajustes deste edital (Walfredo Rodriguez), que foi um edital muito elaborado e desejado pela classe cinematográfica de João Pessoa”, diz.

Ingrid Trigueiro e Zezita Matos no filme paraibano 'Rebento' — Foto: Saullo Dannylck/Divulgação

No elenco, apenas artistas paraibanos ou que fossem radicados no estado. “A gente teve essa preocupação que o Rebento fosse inteiramente de profissionais paraibanos ou de pessoas que exercem sua arte aqui na Paraíba, são mais de 40 artistas paraibanos no elenco. Como o projeto foi financiado com dinheiro nosso, a gente se preocupou de que alguma forma a gente desse esse retorno. Fomentando a formação e a continuidade dos profissionais na área audiovisual da nossa terra, tanto no elenco como em equipe”, conta o diretor.

Rebento foi gravado no Sertão da Paraíba, nas cidades de Aparecida, Sousa, Santa Cruz e São Domingos, gerando empregos pelo estado. “Equipes dessa região foram muito importantes, fundamentais. Sem eles, a gente não teria conseguido o resultado que a gente tem na tela hoje, tanto em trabalho de direção de arte, quanto de locações, a produção local foi fundamental nesse sentido” , disse André.

Estrelado por Ingrid Trigueiro, Rebento foi o primeiro trabalho da atriz como protagonista no cinema. Pela atuação, ela venceu na categoria Melhor Atriz no Festival Internacional de Cinema Independente de São Paulo, no Cinalfama Lisbon International Film Awards, em Portugal, e na Mostra de Cinema Contemporâneo do Nordeste, na Bahia, todos em 2018.

“A gente precisava de uma atriz que tivesse experiência, tivesse estofo emocional e experiência na arte de interpretação e de alguma forma o filme tá revelando o trabalho dela porque foi o primeiro trabalho mais significativo no audiovisual de Ingrid”, disse André sobre a escolha da atriz.

O elenco principal ainda conta com Zezita Matos, que estrelou o primeiro curta-metragem de André, “amuleto da sorte”, Fernando Teixeira e Zé Guilherme Amaral, falecido em 2018.

“Além de Ingrid, tem Zezita Matos, que é uma figura carimbada no audiovisual brasileiro mas foi a primeira atriz do meu primeiro curta-metragem em 2005, quando eu tinha 19 anos, ela que apostou em mim. Ela é uma espécie de amuleto da sorte, eu tô sempre com ela, e Fernando Teixeira, que é figura icônica da arte da interpretação. Tem Zé Guilherme Amaral que é o nosso saudoso, a gente estreou o filme em janeiro de 2018, em maio de 2018 ele nos deixou. O filme também tem essa responsabilidade de ser o último trabalho de Zé Guilherme, a gente tá mostrando pras pessoas esse artista”.

Estreia de 'Rebento'

O filme estreou na I Mostra Walfredo Rodriguez, onde os curtas e longas-metragens feitos por meio do edital, foram exibidos no Centro Histórico de João Pessoa. Na capital, o filme também foi exibido no Fest Aruanda, onde os longas paraibanos Estrangeiro, de Edson Lemos Akatoy; Trago seu amor de volta mesmo que você não queira, de Bertrand Lira; Ambiente Familiar, de Torquato Joel; Sol Alegria, de Tavinho Teixeira; e Beiço de Estrada, de Eliézer Rolim.

Rebento também foi exibido em Aparecida, um dos locais onde foi gravado, a céu aberto no Sítio Histórico da Fazenda Acauã, e em Campina Grande, no Teatro Severino Cabral.

"A gente tá nesse trabalho de 'formiguinha', fazendo o filme chegar nas pessoas da melhor forma. A receptividade tem sido linda, linda mesmo, porque é um filme cheio de lacunas de interpretações inúmeras e as pessoas estão embarcando nesse jogo", conta André.

Cinema paraibano

O edital Walfredo Rodriguez de Produção Audiovisual é promovido pela Prefeitura de João Pessoa. A edição 2019, a quarta do edital está prevista para o segundo semestre deste ano. Além do Walfredo, a prefeitura, de acordo com Paulo Roberto, gerente da divisão audiovisual da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), irá lançar o 'W.R_lab', para incentivo do desenvolvimento de projeto audiovisuais. Como parte do W.R_lab, cursos gratuitos sobre desenvolvimento de roteiros de longas-metragens serão abertos ao público.

O cinema paraibano, para André, está "construindo um cenário". “Começando a ter uma filmografia em longa-metragem de uma forma mais recorrente na Paraíba... Só no último Fest Aruanda a gente fez o lançamento de 6 longas paraibanos, Rebento, Estrangeiro, Trago seu amor de volta, Ambiente Familiar, Sol Alegria e Beiço de Estrada, que vieram de 2018, 2019. Ainda tem uma leva, tem uma filmografia chegando com muita diversidade, com uma cara. É um olhar muito nosso, olhares que vão pro Sertão, que vão pra Tabatinga, que vão pra urbanidade daqui de João Pessoa", disse.

Próximos planos

Os próximos planos de André para Rebento, é a circulação do filme, tanto em festivais quanto nas salas de cinema de João Pessoa. “A gente se inscreveu em vários (festivais) e estamos esperando as respostas. Espero que em 2019 ele percorra mais festivais pra que em 2020 a gente faça um lançamento em circuito e possa entrar em umas salas do país, ficar um tempo em cartaz em João Pessoa. Esses são os nossos planos, vamo ver o que a vida espera pra nós”, diz o diretor.