Cultura pop asiática ganha espaço entre os jovens de João Pessoa

Em 2018, o evento HQPB teve um público superior a 30.000 pessoas

Foto: HQPB
Por Ângela Duarte há 6 meses


A cultura asiática sempre esteve presente na vida do brasileiro, dada a enorme quantidade de imigrantes, principalmente japoneses, que vieram para cá no século passado. Artes marciais como o karatê, o taekwondo e o tai chi chuan são atividades praticadas por várias pessoas, não importando gênero ou idade.

Até o final da primeira década do século XXI, o contato dos jovens brasileiros com a cultura pop asiática se dava somente por meio da televisão. Programas direcionados ao público infantil, como a TV Globinho, estavam lotados de desenhos animados japoneses, os animes, em sua grade de programação. É difícil não conhecer alguém entre 20 e 30 anos que não tenha animes como Cavaleiros do Zodíaco ou Pokémon em suas memórias de infância. Em João Pessoa não é diferente, e existem eventos voltados à esse público há mais de 10 anos.

A febre dos animes ganhou força com a internet, e, atualmente, o acesso desse tipo de conteúdo, que abrange diversos gêneros e atinge diversos públicos foi facilitado, aumentando o número de fãs dos distintos personagens de olhos desproporcionais. O estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Paulo Pereira dos Santos, de 20 anos, diz que a mistura de culturas é o que mais atrai o público: “A partir dessa experiência de mescla de culturas distintas se formou algo novo e atrativo aos olhos dos jovens asiáticos e, pelo desenvolvimento e popularidade dessa nova forma de entretenimento entre os jovens asiáticos, conseguiu-se exportar essa cultura pop asiática para jovens ao redor do mundo.”   

                                                                            JoJo's Bizarre Adventure é um dos animes mais populares entre os 'Otakus'.



K-POP

Apesar dos animes serem o ramo com a maior legião de fãs, apelidados de Otakus, não foram só esses que ganharam a atenção público pessoense. O K-pop, estilo musical sul-coreano, estourou nas paradas mundiais após o hit Gangnam Style, do rapper PSY, e se consolidou entre os mais jovens após o sucesso do grupo BTS. Em João Pessoa, grupos de dança cover se reúnem aos fins de semana no Espaço Cultural José Lins do Rego para ensaiarem e se prepararem para as competições, que acontecem no Brasil todo.

Um desses grupos é o Force of Will, que compete desde 2013 e já soma 11 vitórias em concursos de cover em todo o nordeste. Walter Yanko, líder do grupo, afirma que dançar k-pop não é só uma atividade física, mas também social : “Em um grupo, você conhece e interage com outras pessoas ao mesmo tempo que se diverte. Os grupos costumam interagir entre si também, e vários membros dançam em diversos grupos ao mesmo tempo - um fenômeno bastante característico de João Pessoa chamado ‘trade’. Assim sendo, as competições servem como catalisadores desses encontros sociais e a necessidade dos ensaios acaba juntando várias pessoas que gostam da mesma coisa no mesmo lugar e com o mesmo objetivo. Pode-se dizer tranquilamente que de uns tempos pra cá surgiu a uma nova tribo urbana, os ‘kpoppers’”.

Foto: HQPB


O Force of Will é um dos grupos cover mais antigos de João Pessoa, e estão positivos quanto ao crescimento dessa prática na capital: “ Os concursos por aqui existem desde 2012 e vêm surgindo cada vez mais eventos. Neste ano surgiram alguns eventos voltados exclusivamente para o público kpop. É natural esperar que a oferta cresça cada vez mais, acompanhando o crescente público.” Anualmente, acontecem pelo menos 5 eventos na capital paraibana.

É incontestável o crescimento da cultura pop asiática em João Pessoa, em 2018, o evento HQPB teve um público total superior a 30.000 pessoas, somando os dois dias de evento. Também em 2018, foram mais de 50 grupos cover inscritos na competição do mesmo evento.


Cosplay

Nesses mesmos eventos, também é praticado outro tipo de atividade: o cosplay. A palavra, de origem americana, é a junção das palavras costume (fantasia) e play (brincar), e designa a atividade de se fantasiar como personagens de animes, jogos, filmes, ou outro elemento da cultura pop.

A estudante Ana Rebeca Estevão, de 17 anos, é cosplayer desde os 15 e diz que a melhor parte de participar desse meio é conhecer novas pessoas: “Você conhece muita gente boa, e a comunicação com as pessoas é algo maravilhoso. Particularmente quando uma criança gosta de algum cosplay meu isso me dá muito orgulho”. Ana também diz que os cosplayers ainda não são reconhecidos nem respeitados, por que o cosplay é algo diferente do usual e as pessoas não estão acostumadas.

Foto: Elúsio Brasileiro


Com assessoria