Refugiado Sírio que vende artesanato para se sustentar conta sua história em evento do MPF

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Imagem: Ascom MPF/PB
Por Ângela Duarte há 2 meses

Hayan Aldaas é um advogado formado pela Faculdade de Damasco, na Síria, mas mora em João Pessoa há seis meses. Ele participou de um simpósio sobre refugiados em abril, organizado pelo Ministério Público Federal, onde contou um pouco mais de sua história.

O sírio de 30 anos, além de aproveitar a oportunidade para expor seus artesanatos, atividade que complementa a sua renda, explicou que, devido a questões burocráticas e à crise no mercado de trabalho, não pode, por enquanto, exercer a carreira jurídica na capital paraibana. No seu país de origem, após os dois anos de estágio exigidos para a aptidão do exercício da advocacia, Hayan precisou fugir de lá devido a guerra. Com as dificuldades que surgiram, veio a escolha de partir para o Brasil. 

“A guerra começou em 2011. Durante quatro anos eu vi coisas horríveis acontecerem com amigos, vizinhos, com Damasco, cidade em que morava. Já perdi minha casa, perdi primos, passei por muitas coisas ruins. Cada ano que passava vinha a esperança de que a guerra iria acabar, mas era uma falsa esperança”, contou.

Em busca de uma nova trajetória para a sua vida, em outubro de 2015, Hayan mudou-se para São Paulo, onde encontrou seu irmão, o arquiteto Muhanad Aldaas, que havia chegado no Brasil quatro meses antes. Ao entrar em terras brasileiras, Hayan contou que sua maior dificuldade foi aprender a nova língua. “Fiz um curso de português durante dois meses em São Paulo, no Instituto Adus [Instituto de Reintegração do Refugiado], foi quando comecei a me relacionar melhor com a língua”, relatou.

Após três meses morando em São Paulo,Hayan conseguiu emprego de distribuidor, área em que atuou por um ano. Em seguida, ele tentou ganhar a vida em um país vizinho, Paraguai, onde passou apenas dois meses. Ao retornar para São Paulo, enfrentou seis meses de desemprego e só conseguiu trabalho como vendedor de uma empresa de equipamentos de segurança. Após esse tempo, começou a atuar na área comercial de uma empresa de cosméticos.

As vendas de artesanato começaram ainda na capital paulista, em um evento cultural e gastronômico realizado pela organização social Compassiva, onde Hayan expôs materiais como tapetes, capas para almofadas e porta-joias, todos vindos da Síria. Após o período na maior capital do país,os dois irmãos decidiram que estava na hora de procurar outra cidade.

 “Eu e meu irmão queríamos nos mudar para uma cidade litorânea, fizemos pesquisas e muitas pessoas nos falavam que João Pessoa é uma cidade que está se desenvolvendo bastante, é limpa, organizada, tem um clima agradável, então a nossa expectativa era crescer junto com a cidade”, explicou Hayan. 

Em um mês, Muhanad Aldaas, arquiteto também formado pela Faculdade de Damasco, conseguiu emprego na área de arquitetura. 

Apesar da capital paraibana tendo um custo de vida mais barato que São Paulo, existe um porém, “os salários oferecidos aqui não são bons”, comentou Hayan. De acordo com o jovem, os seis primeiros meses na capital não estão sendo fáceis. Ainda atuando na empresa de cosméticos, como homeoffice, Hayan também vende seus artesanatos.