Acionistas da Embraer aprovam acordo com a Boeing

Reunião foi uma das etapas finais para decidir a criação de empresa avaliada em US$ 5,26 bilhões; negócio ainda precisa ser aprovado por autoridades regulatórias

Foto: Denis Balibouse/Reuters; Roosevelt Cassio/Reuters
Por Ângela Duarte há 8 meses

Os acionistas da Embraer aprovaram o acordo sobre a venda da divisão comercial da empresa para a Boeing, durante assembleia geral extraordinária realizada nesta terça-feira (26). Pelo acordo, a Boeing deverá pagar US$ 4,2 bilhões por 80% da nova companhia. A Embraer ficará com os 20% restantes.

A assembleia foi uma das etapas finais para decidir o rumo do negócio com a Boeing, que dependia do aval dos investidores. O acordo ainda precisa ser autorizado pelas autoridades regulatórias.

Segundo a Embraer, 96,8% dos votos válidos foram favoráveis à transação, com a participação de aproximadamente 67% de todas as ações em circulação.

Os negócios de defesa e jatos executivos e as operações de serviços da Embraer associados a esses produtos permanecerão como uma empresa independente e de capital aberto.

Em meados de janeiro, a Embraer informou que espera que suas receitas caiam em cerca de 50% em 2020 diante da separação da divisão comercial do restante da empresa. A companhia também afirmou que espera reverter um fluxo de caixa negativo de 2018, com o efeito da entrada de recursos da Boeing e previu fluxo positivo de US$ 1 bilhão com a conclusão da operação, de acordo com a Reuters.

Novo negócio

A proposta aprovada prevê a criação de uma joint venture (empresa formada a partir de duas) composta pelas operações de aeronaves comerciais e serviços da Embraer, avaliada em US$ 5,26 bilhões.

Os acionistas da Embraer também aprovaram a criação de uma joint venture para promover e desenvolver novos mercados para o avião multimissão Embraer KC-390. Sob os termos da parceria, a Embraer deterá 51% das ações dessa joint venture e a Boeing, os 49% restantes.

O valor deste negócio, que levará o nome de AB Defense, não foi informado. Segundo documento entregue aos acionistas, Boeing e Embraer farão contribuições para esta nova sociedade em dinheiro e em ativos.

Perto das 11h, as ações da Embraer tinham alta de 4%, enquanto que o Ibovespa subia 0,11%.

Na véspera, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região revogou a liminar que impedia a realização de assembleia. A liminar foi revogada após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

A expectativa é que o processo de criação da nova companha seja concluído até o fim deste ano.


Parceria entre Boeing e Embraer prevê a criação de joint ventures de aviação comercial e defesa. — Foto: Claudia Ferreira / G1

Executivos

Em nota à imprensa, os executivos da Embraer e da Boeing comemoram a aprovação. "Essa importante parceria posicionará as duas empresas para oferecer uma proposta de valor mais robusta a nossos clientes e investidores, além criar mais oportunidades para nossos empregados”, disse Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente e CEO da Embraer.

“Essa parceria global estratégica tem como base o longo histórico de colaboração entre Boeing e Embraer, beneficia nossos clientes e acelera nosso crescimento”, disse Dennis Muilenburg, presidente, chairman e CEO da Boeing.

Entenda a parceria

A Boeing e a Embraer anunciaram no fim de 2016 que estudavam unir seus negócios. A expectativa era de que um acordo entre as duas poderia criar uma gigante global de aviação, com forte atuação nos segmentos de longa distância e na aviação regional, e capaz de fazer frente a uma união similar entre as maiores concorrentes, Airbus e Bombardier, que também se uniram.

A americana e a brasileira tentam consolidar em um mesmo negócio duas operações fortes, uma em aviação de longa distância, outra para deslocamentos regionais. Enquanto a Boeing é a principal fabricante de aeronaves comerciais para voos longos, a Embraer lidera o mercado de jatos regionais, com aeronaves equipadas para voar distâncias menores.

A Embraer foi privatizada em 1994, no fim do governo Itamar Franco, por R$ 154,1 milhões (valores da época), quando o governo obteve o poder de decisão sobre a companhia.

Fonte: G1