Bovespa opera em queda de mais de 2% de olho na cena política local

Na véspera, Ibovespa fechou em alta de 1,76%, aos 95.306 pontos

Por Ângela Duarte há 7 meses

Fonte: G1

O principal indicador da bolsa paulista, a B3, opera em queda nesta quarta-feira (27), com os investidores de olho na cena política local, após a Câmara ter aprovado na noite da véspera uma PEC que reduz o poder do Executivo sobre o Orçamento e aumenta os gastos obrigatórios, o que mercado entendeu como derrota do governo e sinalização negativa para a reforma da Previdência.

Às 15h03, o Ibovespa recuava 2,05%, aos 93.348 pontos. Veja mais cotações.

Entre as maiores quedas do índice, Petrobras, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú tinham queda ao redor de 3%. Vale recuava cerca de 1%.

Já o dólar opera em alta, ao redor de R$ 3,95. Na máxima do dia até o momento chegou a R$ 3,9603, maior cotação intradia desde 2 outubro do ano passado (R$ 3,9974).

Na véspera, a bolsa fechou em alta de 1,76%, aos 95.306 pontos, após uma sequência de 5 pregões de queda. No mês, o Ibovespa acumula alta de 0,29%. No ano, a valorização é de 8,44%.

Cenário político e incertezas

Na véspera, os deputados aprovaram Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna obrigatória a execução de emendas coletivas no Orçamento da União, no que pode ser visto como um firme recado de insatisfação na relação com o governo do presidente Jair Bolsonaro após dias de farpas sendo trocadas entre Executivo e Legislativo, destaca agência Reuters.

"A situação em Brasília ainda suscita cautela no curto prazo, especialmente com a falta de entendimento do governo com o legislativo. Ainda que o cenário de longo prazo não tenha se alterado de forma substancial, o nível de ruído durante o processo de aprovação da reforma da previdência não está sendo pequeno, o que deve manter o índice bastante volátil nesse meio tempo", escreveu em relatório a clientes a Coinvalores.

O mercado aguarda participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, prevista para 14h, após ele ter cancelado sua ida à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara por conta da indefinição quanto ao nome do relator.

Também na terça-feira, líderes do centrão e de outros partidos na Câmara anunciaram que atuarão para tirar do texto de reforma da Previdência enviado pelo governo Bolsonaro as mudanças nas regras da aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Do lado externo, o mercado observa um dia importante para o Brexit, com o Parlamento reunido nesta tarde para definir o rumo da saída da UE, sob expectativa de que a premiê britânica, Theresa May, ofereça seu cargo em troca da ratificação de seu acordo após duas derrotas.

O noticiário trazia também números mais fracos sobre lucro industrial na China, corroborando preocupações sobre a desaceleração global.