Como a Disney quer se tornar o novo império do entretenimento após a compra da Fox?

Disney passou a ter um domínio sem precedentes no mercado do entretenimento e vai entrar com mais força no mercado dos serviços de streaming

Foto: Walt Disney Company
Por Ângela Duarte há 5 meses

Após comprar as poderosas divisões de cinema e de televisão da Fox por US$ 71,3 bilhões, a Disney passou a ter um domínio sem precedentes no mercado do entretenimento, que vive um momento de grande transformação nos últimos anos.

Deixando para os cinemas as fantasias sobre o futuro, a aquisição é a maior dos 96 anos da história da Disney, mas que efeitos ela terá sobre a empresa e o mercado?

1) A FAMÍLIA DISNEY SE AMPLIA...

Entre os ativos da 21st Century Fox que passam para as mãos da Disney estão as produtoras de cinema 20h Century Fox, Fox 2000 e Fox Searchlight, os estúdios Fox Family e Fox Animation, além dos canais National Geographic e FX Networks.

A Disney também agora é dona da parte da Fox nos conglomerados Tata Sky e Endemol Shine, assim como de 60% da plataforma de streaming Hulu, concorrente da Netflix.

Quanto à força de trabalho, alguns chegam e outros se vão. A companhia absorverá 15,4 mil funcionários da Fox, controlada pelo magnata Rupert Murdoch, incluindo os ex-diretores do conglomerado.

No entanto, o executivo-chefe da Disney, Bob Iger, responsável pela operação junto com Murdoch, prometeu aos acionistas uma economia de US$ 2 bilhões até 2021. Por isso, as estimativas mais conservadoras dos analistas são de 4 mil demissões.

2) ...E O IMPÉRIO MURDOCH SE REORGANIZA

A Fox renasceu na bolsa nesta quarta-feira como uma nova empresa independente, com quatro novos membros em sua direção ao lado de Murdoch, relegado ao posto de copresidente. O filho do magnata, Lachlan Murdoch, comanda o império como executivo-chefe.

"Estamos encantados em dar as boas-vindas aos nossos novos colegas à direção da Fox. Esperamos trabalhar com eles e que eles nos guiem enquanto começamos um novo capítulo, comprometidos a oferecer o melhor em notícias, esportes e programação de entretenimento", disse Lachlan em comunicado.

Assim, a nova Fox vai focar nas notícias e nos esportes, já que manterá suas principais marcas: Fox News, Fox Sports (nos EUA) e as emissoras que distribuem as informações dos dois canais.

3) A NEGOCIAÇÃO FOI LONGA

No fim de 2017, a Disney ofereceu US$ 52,4 bilhões pelos ativos da Fox, mas a Comcast (dona das emissoras NBC e Telemundo) entrou na negociação e fez uma proposta de US$ 65 bilhões.

A queda de braço foi resolvida quando a Disney subiu sua oferta para US$ 71,3 bilhões. Segundo comunicado que informou a conclusão das negociações, a empresa também pagará US$ 19,8 bilhões em dinheiro à Fox e assumirá uma dívida de US$ 19,2 bilhões.

Faltava a aprovação dos órgãos reguladores de vários países, que acabaram impondo condições ao domínio que a Disney exerceria no mercado de transmissões esportivas, por exemplo.

No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que a Disney, dona da ESPN, vendesse a Fox Sports para aprovar a negociação.

A Justiça dos Estados Unidos também impôs condições para dar sinal verde para a operação, obrigando a Disney a vender 22 canais regionais de esportes da Fox.

Falta apenas a aprovação dos órgãos de regulação do México, que veio apenas nos últimos dias. Como os acionistas das duas empresas já tinham votado a favor da negociação, a Disney pode anunciar, enfim, a conclusão da operação de compra da Fox.

4) HÁ NOVIDADES NO CURTO PRAZO

Diante do crescimento dos serviços de streaming sobre o mercado da televisão a cabo, a Disney pretende entrar de cabeça no novo segmento, colocando a liderança da Netflix sob risco.

A empresa já tem um serviço desse tipo para os esportes, ligado à "ESPN", mas lançará uma plataforma destinada a um público mais familiar no fim do ano, o Disney+. Assim, séries e filmes que pertencem à companhia deixarão os catálogos das concorrentes.

Além disso, a Disney mantém a previsão de lançar longas-metragens que dominarão as bilheterias dos cinemas neste ano: as novas versões de "Dumbo", "Aladdin" e "Rei Leão", o quarto filme da franquia "Toy Story", "Vingadores: Ultimato" e o episódio XI de "Star Wars".

5) MAIS PODER EM HOLLYWOOD

Potência consolidada em Hollywood desde as aquisições de Pixar, Marvel e Lucasfilm, a Disney se tornará uma maiores forças do cinema americano, incorporando um rol de personagens famosos a seu catálogo já recheado.

Entre eles estão os super-heróis de "X-Men", a franquia "Avatar", filme de maior sucesso da história do cinema, além de "Os Simpsons", série que está há mais tempo no ar na televisão americana.

Resta saber como a Disney administrará o império, já terá sob sua tutela atrações direcionadas a públicos completamente diferentes. Ficam dúvidas também sobre como as decisões da empresa afetarão a indústria, que teme o domínio de uma só companhia no setor.

6) O QUE DIZ WALL STREET?

A Disney anunciou que 52% dos acionistas da Fox escolheram receber US$ 38 por ação na operação. Outros 37% optaram por receber títulos da empresa na negociação encerrada ontem.

No entanto, a quarta-feira foi um dia volátil em Wall Street. Os papéis da Disney fecharam o dia em queda de 0,95%, e os da Fox registraram queda de quase 5% no encerramento do pregão. 


Fonte: G1