O que significa para a consumidora a compra da Avon pela Natura?

Após a aquisição, a empresa brasileira vai se tornar a 4ª maior do mundo dentro do setor de cosméticos

Foto: Natura/Avon/Divulgação
Por Ângela Duarte há 3 meses

Fonte: M de Mulher

Depois de um longo período de negociações, foi divulgado nesta quarta (22) que a gigante de cosméticos brasileira Natura comprou a norte-americana (e igualmente poderosa) Avon, em um acordo de cerca de dois bilhões de dólares (o equivalente 8.7 bilhões de reais).

Segundo o jornal britânico Financial Times, a transação foi feita por meio de troca de ações, o que vai fazer com que os negócios de ambas as empresas funcionem de maneira combinada. Assim, a Natura vai ficar com 76% da Avon, e os outros 24% será propriedade dos acionistas.

A verdade é que a Avon não estava indo muito bem das pernas nos últimos anos e, ainda segundo o jornal, teve de cortar aproximadamente 2300 postos de trabalho só em janeiro passado.

Isso tem a ver com o fato da empresa, considerada pioneira no modelo de venda direta para seus clientes, não ter conseguido se adaptar muito bem ao avanço das redes sociais como ferramenta de consumo, perdendo para concorrentes fortes como a Sephora, a Estée Lauder e a L’Oréal.

O que isso representa?

A compra da Avon, de acordo com o site InfoMoney, vai transformar a Natura, que já estava em busca de oportunidades para crescer em escala global, na 4ª maior empresa do setor de cosméticos do mundo.

Vale lembrar que a marca também é controladora da australiana Aesop, desde 2012, e da inglesa The Body Shop, desde 2017. Agora, a intenção da marca é se expandir ainda mais, principalmente para regiões da Ásia, Europa e América Latina.

Já para as consumidoras, é bem provável que a Avon, por ser conhecida lá fora, se torne uma linha mais popular dentro da Natura, o que vai alavancar o nome desta internacionalmente.

“A inclusão da Avon em um portfólio que já conta com Natura, The Body Shop e Aesop amplia a capacidade de Natura &Co de atender seus diferentes perfis de clientes, em diversos canais de distribuição, expandindo sua atuação para novas regiões. Essas marcas icônicas compartilharão a paixão pela beleza e pelos relacionamentos com mais de 200 milhões de consumidoras em todo o mundo, por meio de consultoras e representantes, lojas de varejo, plataformas digitais e e-commerce”, escreveram as empresas, em comunicado à imprensa divulgado na noite de quarta.

No mesmo texto, Luiz Seabra, cofundador da Natura, falou, ainda:

“A união de hoje cria uma força importante no segmento. A venda direta já era uma rede social antes mesmo de a palavra existir, e a chegada da tecnologia e da globalização apenas multiplicou as oportunidades de se conectar com os consumidores de maneira significativa. O modelo de negócios está evoluindo para a venda por relações e o poder da era digital permite que o grupo vá além de fornecer produtos e consultoria, ampliando o empoderamento das mulheres por meio da independência financeira e do aumento da autoestima. Acreditamos que os negócios podem ser uma força para o bem e, com a Avon, ampliaremos nossos esforços pioneiros para levar valor social, ambiental e econômico a uma rede em constante expansão”.

Assim, a Natura funcionaria como o carro-chefe dentro do conglomerado de empresas, tendo a Avon, a Aesop e a The Body Shop como suas ramificações – é mais ou menos o que acontece com o Grupo Boticário, atualmente detentor das marcas Boticário, The Beauty Box, Quem disse, Berenice?, Vult e Eudora.