A influência dos professores na escolha do curso de graduação

Muitos alunos têm os professores como exemplo dos profissionais que querem ser no futuro

Foto: Reprodução
Por Ângela Duarte há 4 meses

Quando chegou no terceiro ano do ensino médio, Natan Hamad, de 19 anos, ainda não sabia o que queria cursar. Essa indecisão o acompanhou por alguns meses, até ele perceber que uma pessoa muito próxima à ele poderia resolver essa situação. Renato Júnior, seu professor de química.

“Ele era muito carismático e envolvido com o assunto, quando ele estava dando aula ninguém perdia o foco, de tão bom que ele era. O modo dele ensinar abriu meus olhos para a licenciatura, se não fosse ele, eu não estaria cursando Química, e, agora, eu não me vejo em outra área”, diz o universitário, que passou em primeiro lugar em licenciatura plena em química, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e está no segundo período.

A situação de Natan é mais comum do que se imagina. A idade escolar brasileira vai dos 4 até os 17 anos, e, logo após isso, vêm a universidade; os estudantes precisam decidir sua carreira muito cedo, e é na sala de aula onde eles têm mais contato com o mercado de trabalho. Além disso, os professores são, junto com a família, a fonte de conhecimento do aluno, como explica a psicopedagoga Aline Almeida:

“O professor possui um papel de intermédio entre o conhecimento e o aluno, e esse papel de mediador o faz ensinar, também, o que o teórico Lev Vygotsky chama de signos psicológicos: nem sempre o aluno vai recordar os assuntos estudados, mas jamais se esquece da conduta e do caráter do professor”, afirma.

A psicopedagoga também explica que é comum alunos criarem uma relação de afeto com o professor, o que aumenta as chances do docente influenciar a escolha do curso de graduação:

“Tudo isso nos faz compreender o poder do professor na influência das escolhas e do pensamento dos alunos, sem contar a questão afetiva, que é fundamental. Também podemos pensar que aprendemos com mais facilidade com os professores que gostamos e confiamos mais; são estes docentes que acreditam que o aluno vai conseguir conquistar seus objetivos”, comenta Aline.

A metodologia faz toda a diferença

Assim como Natan, outros estudantes também afirmam que o modo do professor ensinar foi decisivo na hora de escolher o curso. Em uma pesquisa feita com 81 pessoas, graduandas ou já formadas, de todo o país, das 40 que se disseram influenciadas por um docente, 12 afirmaram que a metodologia de ensino as fizeram se encantar pela área estudada.

Outros fatores que influenciaram na decisão foram: o professor ser formado na área e o aluno querer seguir o exemplo dele (9), o professor contou alguma história, em aula, que encantou o aluno (8) e tentar convencer o aluno diretamente, visto as habilidades do mesmo com o assunto (6).


O carinho dos alunos

Celina com alguns de seus alunos (Foto: Arquivo Pessoal)

Celina Fonseca, que leciona Química em uma escola particular de João Pessoa, conta que se sente muito querida pelos alunos, e que a relação de amizade que ela têm com eles, dentro e fora de sala, a faz sentir como se fossem uma família:

“Dou aula para crianças do 8º ano e com eles sou bem ‘tia’: dou conselhos, converso pelas redes sociais; me sinto muito respeitada por eles, mas, ao mesmo tempo, me sinto um pouco pressionada por isso, pois tento ser um bom exemplo ao máximo com eles, cuido principalmente da minha imagem, para não me tornar um mal exemplo”, conta.

“Acho que, como trabalho com Ensino Fundamental, tenho um certo grau de influência pois sou o primeiro contato deles com a Química. Tenho uma aluna, inclusive, que conheceu a química comigo e é fascinada pela área, e já diz que quer trabalhar com isso”, finaliza a professora, que também é dançarina de balé.


Com Assessoria

*Essa reportagem foi previamente escrita para um trabalho da faculdade