Anunciada como 'número dois' do MEC, Iolene Lima diz que não seguirá no cargo

Secretaria-Executiva do MEC já teve três nomes em três meses de governo: Luiz Antônio Tozi, Rubens Barreto da Silva e Iolene Lima

Foto: Reprodução / Twitter
Por Ângela Duarte há 7 meses

Oito dias após ter sido anunciada pelo ministro Ricardo Vélez Rodríguez como secretária-executiva do Ministério da Educação, cargo considerado o "número dois" dentro do MEC, Iolene Lima informou, no início da madrugada desta sexta-feira (22), que não seguirá na pasta.

“Diante de um quadro bastante confuso na pasta, mesmo sem convite prévio, aceitei a nova função dentro do ministério. Novamente me coloquei à disposição para trabalhar em prol de melhorias para o setor. No entanto, hoje, após uma semana de espera, recebi a informação que não faço mais parte do grupo do MEC”, postou ela em sua conta no Twitter. (leia a íntegra da mensagem ao fim da reportagem).

A nomeação de Iolene nem chegou a ser publicada no Diário Oficial da União, mas ela acompanhou o ministro Rodríguez em compromissos públicos. Entre eles, esteve ao lado do ministro quando Rodríguez foi a Suzano prestar solidariedade às vítimas do ataque a tiros em uma escola.

Crise no ministério

O ministro Ricardo Veléz Rodríguez está no centro de uma crise política e está sendo alvo de pressões para deixar o posto.

Veja abaixo o resumo e, em seguida, a explicação mais detalhada do caso:

-O ministro Rodríguez foi indicado pelo escritor de direita Olavo de Carvalho
-Ele montou o ministério com civis e militares
-Rodríguez é criticado pela falta de resultados e por polêmicas como a do hino nacional
-Houve críticas sobre a influência do coronel-aviador Ricardo Roquetti, um dos principais assessores do ministro Rodríguez
-Uma das polêmicas mais recentes envolve uma carta enviada às escolas com o slogan de campanha do Bolsonaro e com o pedido de filmagem de menores
-Bolsonaro determinou que o ministro fizesse demissões
-Luiz Antônio Tozi deixou o cargo de secretário-executivo
-Rubens Barreto da Silva assumiu o lugar de Tozi como secretário-executivo
-Dias depois, o ministro anunciou Iolene Lima para o cargo de secretária-executiva
-Sem ter sido nomeada oficialmente, Iolene anunciou que não fazia mais parte do MEC

Rodríguez foi indicado pelo escritor de direita Olavo de Carvalho, que também sugeriu vários assessores para ocupar cargos dentro do Ministério da Educação. O governo acatou as sugestões.

Além dos nomes sugeridos, Rodríguez também nomeou alguns militares. De acordo com o colunista do G1 Valdo Rodríguez, há um "guerra" no MEC envolvendo os dois grupos.

Em meio à disputa interna, Rodríguez se envolveu em muitas polêmicas. A mais recente delas aconteceu em 25 de fevereiro, quando o ministro enviou uma carta às escolas de todo o país pedindo que as crianças fossem filmadas cantando o Hino Nacional.

O Estatuto da Criança e do Adolescente veta a divulgação de imagens de menores de idade sem autorização dos pais. Na carta, o ministro ainda reproduzia o slogan de campanha de Jair Bolsonaro, o que pode ferir a Constituição de acordo com o artigo 37, que diz que a administração pública de qualquer um dos poderes deve seguir os princípios da "legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência".

“Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de vocês, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”, dizia a carta.

O Ministério Público Federal em Brasília informou que vai apurar se o ministro cometeu improbidade administrativa.

Para tentar acabar com a guerra interna, o presidente Jair Bolsonaro determinou que o ministro demitisse não só assessores, mas também militares.

Até terça (12), o secretário-executivo do MEC era Luiz Antônio Tozi. Ele foi demitido como último ato de uma "reestruturação" promovida pelo ministro.

Com a saída de Tozi, o nome de Rubens Barreto da Silva chegou a ser anunciado por Rodríguez, também em rede social. A nomeação de Barreto no cargo, no entanto, não chegou a ser publicada no Diário Oficial da União.

Iolene Lima foi o terceiro nome indicado para o cargo no MEC. Em três meses de governo, o 'número dois' da pasta ainda não está definido.

Confira a íntegra do anúncio de Iolene Lima:

Aos meus amigos e colegas:

Depois de cinco anos à frente da direção do colégio que ajudei a fundar, deixei meu emprego a fim de aceitar um convite para, junto com outros profissionais, servir ao meu país, colaborando para um ideal que acredito: um Brasil melhor por meio da educação.

Todavia, diante de um quadro bastante confuso na pasta, mesmo sem convite prévio, aceitei a nova função dentro do ministério. Novamente me coloquei à disposição para trabalhar em prol de melhorias para o setor. No entanto, hoje, após uma semana de espera, recebi a informação que não faço mais parte do grupo do MEC,. Não sei o que dizem mas confio que Deus me guardará e guiará! Desejo ao governo do nosso Presidente Bolsonaro e ao Ministro Ricardo Vélez, o melhor! E obrigada a todos que oraram por mim e me apoiaram neste desafio! Foram milhares de mensagens de apoio! Que Deus abençoe nossa nação!

Meu abraço, Iolene Lima!

Quem é Iolene Lima

Iolene Maria de Lima é ligada a uma igreja batista do Interior de São Paulo e foi diretora de um colégio religioso paulista. Na madrugada do dia 13 de fevereiro ela embarcou com o ministro para acompanhar o velório coletivo das vítimas do atentado em uma escola de Suzano (SP).

Durante a viagem, ela criou uma nova conta no Twitter que, até a tarde do dia 14 contava com apenas três mensagens, todas relacionadas à tragédia em Suzano. O único post feito após a tragédia foi o do anúncio da saída do MEC.

Quando foi anunciada para o cargo de secretária-executiva, Iolene publicou na sua conta no Twitter: "Muito obrigada, Ministro @ricardovelez e Presidente @jairbolsonaro. Dediquei minha vida para a área da educação e me sinto honrada. É com grande alegria que assumo o cargo de tamanha importância para a educação do nosso país!", escreveu Iolene.

Na conta anterior dela – que foi desativada, mas ainda pode ser acessada no histórico do Google –, o foco de Iolene era em mensagens religiosas e de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Em uma delas, ela dizia que "O Brasil não será uma Venezuela".

Fonte: G1