Álvaro Dias reitera Ficha Limpa e diz que refundará a República na presidência

Pré-candidato reforçou reiteradas vezes que as leis são elaboradas para serem descumpridas ou serem interpretadas ao sabor da conveniência.

Por Ytalo Kubitschek há 6 meses

O senador Álvaro Dias (Podemos) defendeu, durante a sabatina promovida pela Jovem Pan com os pré-candidatos à Presidência nesta sexta-feira (8), que é preciso fazer no Brasil uma "refundação da República". 

De acordo com o senador, o país nasceu com um "gravíssimo defeito de origem", porque historicamente "uma minoria governa o país e explora o esforço coletivo. Defendo Estado enxuto e econômico, sem deixar de lado o social. Menos Estado e mais sociedade. Para isso, a refundação da República é imprescindível", disse.

"Ficha limpa do início ao fim, essa é a minha trajetória em mais de 40 anos de carreira na vida pública. Governador do Paraná e senador reeleito com os votos de quase 80% dos paranaenses", reforçou.

Durante o discurso no debate, Dias reforçou reiteradas vezes que as leis são elaboradas para serem descumpridas ou serem interpretadas ao sabor da conveniência. 

“Não só poderemos olhar para nós mesmos, nossas crenças, nossas instituições e pensarmos numa grande nação se refundarmos a República. Esse é o objetivo central da nossa candidatura”, afirmou.

Por isso, o senador defendeu um pacto social para renovar a política e a governança no país. De acordo com ele, os pedidos extremistas de pessoas para intervenção militar no país retrata a angústia e desespero dos eleitores. “Hoje nós vivemos uma tragédia política”, afirmou. “O Brasil vive um caos administrativo em que 52  milhões de pessoas estão abaixo da linha da pobreza, de uma nação fantasticamente rica”, disse. 

Álvaro Dias ressaltou, porém, que extremismos não leva o país a “nada”, porque afunda ainda mais a nação. “Não se constrói uma nação com extremismos. É preciso um pacto nacional daqueles que pensam no futuro do Brasil. O Brasil real na busca do seu futuro”, defendeu.

Segundo ele, as "Eleições 2018" serão a mais importante desde a redemocratização do país. O senador reforçou que é uma oportunidade para as “pessoas lúcidas” exercer o protagonismo. “Essa participação da sociedade nesse movimento pode evitar essa tragédia que existe hoje. Há um caos administrativo, uma lamaçal de corrupção”, disse. “Por isso, a Operação Lava Jato é essencial para reabilitar as esperanças na política e na democracia. Se a escolha for infeliz (nas Eleições), nós estaríamos desenhando um futuro de angústia para o país”, completou. 

Estatais

De acordo com o senador, há, atualmente, 504 mil servidores nas empresas estatais, mesmo com planos de demissão. Ele defende que a sociedade clama por um estado menor, inclusive nestas companhias. “Existe aquela frase: menos estado e mais sociedade. Ela é uma frase que é a aspiração nacional. O estado se agigantou. Nós temos que reduzir o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Buscar modernidade e simplificação”, declarou Álvaro Dias. 

O senador ressaltou, porém, que não está “ávido” para demitir servidores, mas “acomodá-los” para corresponder às demandas sociais. “Hoje os serviços são ineficazes. É preciso uma arrumação do quadro”, apontou.

Das 146 empresas estatais, 38% foram criadas durante o governo do Partido do Trabalhadores (PT), de acordo com ele. “Quase sempre como cabide de empregos. São desnecessárias. Várias pessoas nem sabem que existem, mas existem e custam caro”, declarou. 


Privatizações

Antes de leiloá-las, Álvaro Dias disse que é preciso que as estatais passem por um programa de revalorização. “É preciso valorizá-las para depois de colocá-las em leilão”, alegou. 

Ele disse que não pretende, porém, vender a Petrobras, Caixa e Banco do Brasil. A primeira, segundo o senador, é invejável de reputação internacional e que é preciso retirá-la dos “assaltantes” do passado. “É uma grande empresa”, declarou. “Podemos leiloar a competição no entorno da Petrobras, como as subsidiárias, a exploração e a distribuição. Agora, o controle tem que ser estatal, mas não pode ser com essa política de preços atual, de lucro a qualquer custo”, defendeu. Álvaro Dias defendeu que é preciso que as empresas estatais precisam exercer “em sua plenitude a sua função social”. 

Sobre a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, o senador defendeu que elas continuem sendo estatais para o consumidor não ficar refém do sistema financeiro privado. 

Ytalo Kubitschek