MPT cobra R$ 25 milhões da Havan por ‘intimidação’ de voto em Bolsonaro

Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina entra com ação civil contra grupo empresarial de Luciano Hang

Por Iracema Almeida há 11 meses

Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT) ajuizou ação civil pública cobrando R$ 25 milhões em indenizações contra a rede Havan, acusada de intimidar funcionários a votar no então candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Além de pagamento de danos morais coletivos, o Ministério Público também exige indenização de R$ 5 mil a cada um dos funcionários da rede. O montante pode chegar a R$ 75 milhões.

Segundo a Procuradoria, o empresário Luciano Hang, dono da Havan, teria declarado diversas vezes que fecharia milhares de postos de trabalho caso Bolsonaro perdesse as eleições.

Além disso, o Ministério Público do Trabalho alega ter provas de que foram realizadas campanhas internas de teor político-partidário. Em um dos casos, o funcionário não teria acesso ao sistema da empresa enquanto não respondesse uma pesquisa sobre em quem iria votar nas eleições.

Hang nega as acusações

Durante as eleições, a Havan foi alvo de decisão liminar da 7ª Vara do Trabalho de Florianópolis, que determinou a imediata suspensão de qualquer forma de intimidação ou campanha partidária com o objetivo de coagir funcionários a votarem em determinado candidato.

“A mera formulação de pesquisas de cunho eleitoral já invade a intimidade e a privacidade dos empregados, pois o voto é secreto e deve-se garantir que a pessoa não queria se manifestar a respeito”, afirmou o juiz Carlos Alberto de Castro, em liminar concedida em 3 de outubro. “A situação se agrava quando, posteriormente a este fato, coloca-se em xeque o emprego de todos os 15 mil empregados”

No último dia 30 de outubro, após a vitória de Bolsonaro no segundo turno, Hang anunciou nas redes sociais que investiria R$ 500 milhões na abertura de 20 lojas da Havan pelo país.

“Se o PT tivesse ganhado, eu estaria aqui anunciando o congelamento dos investimentos”, disse o empresário, durante o vídeo transmitido nas redes sociais.

COM A PALAVRA, A HAVAN 

A reportagem está buscando contato com a rede Havan e o empresário Luciano Hang. O espaço está aberto para manifestações.

Estadão