Juliana Paes fala de insegurança com papel em 'A dona do pedaço': 'Ainda me chamam de Bibi'

Protagonista da nova novela das 21h terá conflitos com a filha, interpretada por Agatha Moreira

Foto: Globo/João Miguel Júnior
Por Ângela Duarte há 6 meses

Fonte: G1

Juliana Paes precisou de um ano longe da televisão para se recuperar do impacto de Bibi Perigosa, sua personagem na novela "A Força do querer" (2017). Agora ela volta ao horário nobre descansada, mas ainda receosa para viver Maria da Paz, protagonista de "A Dona do pedaço", nova novela das 21h. A previsão de estreia é no final de maio.

"Claro que existe uma insegurança. Será que a personagem vai cair no gosto do público? Porque as pessoas ainda me chamam muito de Bibi."

Pela segunda vez na carreira, Juliana será a personagem-título da novela (a primeira foi com a "Gabriela", em 2012). Para a atriz, a escolha é uma homenagem à mulher brasileira.

"Quando soube, pensei 'Meu Deus, eu sou a dona do pedaço?’ Não quero parecer pedante, mas depois eu entendi a força de ter o título da novela personificado em alguém. Cria identificação forte, a personagem fala muito do espírito batalhador, aguerrido do povo brasileiro, principalmente da mulher batalhadora."

Conflitos da maternidade

Juliana viverá uma relação de conflitos com a filha, interpretada por Agatha Moreira. A relação foi fundamental para a atriz descobrir que nem todas as mães querem ser mães. E nem todos os filhos gostariam de ser filhos.

"Quando leio as coisas que a personagem da Agatha vai fazer, fico chocada. Talvez o público sofra um pouco com isso, mas essas relações existem."

Ela confessa que entrou em parafuso. E está ansiosa para que os mesmos questionamentos tomem os jantares de família quando a novela estiver no ar.

"Estava lendo um livro outro dia que fala sobre relações doentias, sobre mães que só viveram a maternidade pra cumprir um papel social, tiveram os filhos, criaram, alimentaram, mas aquilo nunca foi o que elas nasceram para fazer."

"Assim como elas, existem filhos que não têm essa conexão com mãe, não existe amor nem gratidão. Pode ser patológico ou não, mas trazer essa discussão para a sala das pessoas vai ser interessante."

A atriz, a mãe e o medo

Ao conhecer esse lado da relação entre mães e filhos, a atriz admite um pouco de medo do que pode se tornar o relacionamento com seus dois pequenos, Pedro, de oito anos, e Antônio, de cinco.

"Me dá muito medo. Educar é uma tarefa muito difícil. Para a gente que trabalha muito tempo fora, é uma angústia, porque você não está o tempo todo ao lado do filho para vigiar.

Ela tem os mesmos receios da maioria das mães. E regras comuns: Eles não podem brincar com celulares e tablets durante a semana. E ela supervisiona tudo o que consomem. "Futuco tudo, bloqueio conteúdo adulto. Tudo que é possível fazer, a gente faz".

Trabalhar fora de casa - e muito - afeta a relação com eles. "Soma-se a isso a culpa de não estar sempre presente. A gente tem uma tendência a dizer sempre sim, tento ter equilíbrio sobre isso. Mas aí eu penso 'Pô, mas você ficou a semana inteira fora de casa e vai botar o moleque de castigo no sábado?'."

"Nessas horas eu tento me espelhar na geração passada sem me desconectar do que a gente aprende hoje em dia. Meus pais me deixaram muito de castigo, mas também tiveram dificuldade em demonstrar afeto. Eu demonstro muito porque a nossa geração aprendeu a fazer isso de uma forma mais aberta, mas continuo deixando de castigo."