Você sabia que o futebol era proibido para mulheres no Brasil até 1979?

Para entender como funcionou esse decreto-lei, o MdeMulher conversou com Daniela Alfonsi, antropóloga e diretora de conteúdo do Museu do Futebol desde 2014

Foto: Stuart Franklin - FIFA / Colaborador/ Ilê Machado/MdeMulher
Por Ângela Duarte há 3 meses

Fonte: M de Mulher

Neste ano, a luta feminina por mais visibilidade no futebol dá mais um passo. No dia 7 de junho, começa a Copa do Mundo de Futebol Feminino na França. Entre as 24 seleções que estão dentro da disputa, a do Brasil é uma delas. Mas você sabia que formar um time feminino legalmente só foi possível depois de 1979 aqui no Brasil?

Esse cenário explícito de proibição das mulheres nos esportes começou em 14 de abril de 1941, com o Decreto-Lei 3199 imposto durante o governo de Getúlio Vargas. Como esclarece Daniela Alfonsi, antropóloga e diretora de conteúdo do Museu do Futebol, dentro desse decreto havia o artigo 54 com normas destinadas especificamente para as figuras femininas e que mostrava claramente o posicionamento do Estado sobre o que era ser mulher na época. 

“Ele dizia que as mulheres estavam proibidas de praticar qualquer esporte que fosse contra sua natureza. Não especificava quais esportes, mas o futebol já era bastante popular no Brasil nesse período e ele foi imediatamente lido como um esporte que foi proibido para as mulheres. Porque ele sempre foi considerado um esporte mais violento, de contato e todas as justificativas dessa proibição tinham a ver com a preservação do corpo da mulher. A mulher não poderia participar de atividades físicas muito impactantes, porque isso poderia causar infertilidade. Era essa visão de que a mulher servia apenas para a maternidade, para gerar filhos da nação”, enfatiza Daniela.

No entanto, isso não fez com que as garotas deixassem de jogar. A antropóloga explica que no interior de estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mulheres acabavam reunidas para jogar, até que alguém trazia o artigo de proibição à tona.