Estudante autista de Escola Cidadã Integral é inserido no mercado de trabalho com curso técnico

Apesar do diagnóstico de autismo, Gustavo conseguiu se adaptar ao modelo da escola e surpreendeu os pais

Por Ângela Duarte há 5 meses

O dia ainda está nascendo, Gustavo levanta motivado, toma banho, coloca a farda e diz para os pais: “Vou trabalhar! ”. Chega ao local de trabalho com um sorriso no rosto, disposto em todas as tarefas que pedem para ele fazer.  O incentivo de Gustavo vem de um pensamento fundamental: para ele, trabalhar é ajudar as pessoas. Gustavo do Nascimento de Sá, de 26 anos, se formou em Técnico de Cozinha na Escola Cidadã Integral Técnica Pastor João Pereira Gomes Filho, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa. Apesar do diagnóstico de autismo, Gustavo conseguiu se adaptar ao modelo da escola e surpreendeu os pais.

 

De acordo com a mãe, Vera Lúcia de Paula, Gustavo foi diagnosticado com autismo grau leve quando tinha seis anos de idade. A partir daí, os pais se dedicaram e buscaram informação para ajudar o filho.

 

Mesmo diante das dificuldades, Gustavo sempre estudou em escola pública. Foi acompanhado pela Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad) e, ao entrar no Ensino Médio, foi realizada uma parceria entre a Escola Estadual Cidadã Integral Técnica, a Secretaria de Estado da Educação e da Ciência e Tecnologia (SEECT) e a Funad para ajudá-lo nas responsabilidades da escola, na adaptação do modelo Cidadã Integral, assim como auxiliá-lo nos assuntos e atividades das disciplinas.

 

A escola entrou em ação com os pais, para manter os estudantes informados sobre a condição de Gustavo. Acompanhado durantes os três anos pela psicóloga e mediadora Monica Diniz, o estudante tinha um bom desempenho em sala de aula. “Ele era muito disciplinado, os exercícios, as provas eram adaptadas para ele e ele cumpria com excelência. Foi aprovado em todas as disciplinas e no projeto de vida. Ele era muito participativo em todos os eventos da escola”, disse.

 

O curso Técnico de Cozinha oferecido na Escola fez com que Gustavo desenvolvesse habilidades que eram ensinadas para ele na aula prática. O incentivo dos pais e escola foi fundamental para criar independência e qualidade de vida para ele. Assim, durante o curso, Gustavo fez estágio em uma padaria no bairro em que morava.

 

Segundo Gilson de Sá, pai de Gustavo, os funcionários da padaria acolheram o filho com muito carinho e paciência. “Nós sempre nos sacrificamos para dar o melhor para o nosso filho, principalmente em relação ao desenvolvimento dele, mas nunca criamos expectativa para não nos frustrarmos, apoio ele no que ele quisesse fazer, e ele nos surpreendeu. Nos sentimos recompensado por esses anos, de olhar para ele e ver alegria, satisfação”, falou.

Após se formar, Gustavo conseguiu uma vaga de trabalho na padaria em que estagiou. A empresa vai assinar a carteira profissional dele e adaptar horários e dias no trabalho de acordo com o acompanhamento dele na Funad.

 

Vera Lúcia está satisfeita pelo resultado de todo esforço realizado pelo filho. “O problema da sociedade é não acreditar que o autista tem suas superações, ele é capaz e foi isso que ele nos mostrou. Cabe a nós pais buscarmos recursos e meios para incluí-lo na sociedade. Hoje me tornei umas pessoas melhor, sacrifiquei a minha vida para me dedicar ao meu filho, e ele em tudo diz obrigado, ele é carinhoso, eu sinto muito orgulho do meu filho, ver ele concluindo o ensino médio, trabalhando, é motivo de muita alegria e superação. Eu estarei sempre do lado dele”, ressaltou.