Fósseis descobertos na China têm mais de 500 milhões de anos, dizem cientistas

Até agora, um total de 4.351 fósseis de espécies primitivas, incluindo minhocas, águas-vivas, anêmonas e algas, foram analisadas

Foto: AO SUN/BBC
Por Ângela Duarte há 7 meses

Uma equipe de pesquisadores descobriu um verdadeiro tesouro escondido às margens do Rio Danshui, na província de Hubei, na China.

Escavações revelaram milhares de fósseis de espécies primitivas – como minhocas, águas-vivas, anêmonas e algas –, que viveram há aproximadamente 518 milhões de anos.

A descoberta é considerada particularmente rara – uma vez que os tecidos moles de muitas criaturas, incluindo a pele, os olhos e os órgãos internos estão "perfeitamente" conservados.

Mais de 20 mil amostras foram coletadas do recém-descoberto sítio arqueológico, chamado Qingjiange, e um total de 4.351 fósseis já foram analisados.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, foram identificadas até agora 101 espécies, das quais 53 nunca haviam sido catalogadas.

Os paleontologistas consideraram a descoberta, publicada na revista científica Science, "surpreendente", principalmente pela quantidade de espécies novas.

"(Os fósseis) vão ser uma fonte muito importante no estudo das origens primitivas dessas criaturas", disse à BBC Xingliang Zhang, um dos líderes da expedição e professor da Northwest University, na China.

A descoberta é particularmente notável porque "a maioria das criaturas são organismos de corpo mole, como águas-vivas e minhocas, que normalmente não têm chance de ser fossilizadas", explica à BBC o professor Robert Gaines, geólogo que também participou do estudo.

A maioria dos fósseis tende a ser de animais com partes rígidas, já que substâncias mais resistentes, como os ossos, têm menos chance de apodrecer e se decompor.

De acordo com Zhang, os fósseis de Qingjiange devem ter sido "soterrados rapidamente por sedimentos" de uma tempestade, o que explicaria o fato de os tecidos moles estarem tão bem preservados.

Os fósseis datam do período Cambriano da Era Paleozoica, quando teria havido um rápido aumento da diversidade de espécies no planeta, há cerca de 541 milhões de anos.

"A diversidade de seres vivos é algo que não valorizamos hoje, embora haja indícios de que as taxas de extinção estão aumentando acentuadamente", diz Gaines.

"No entanto, a maioria das principais linhagens de animais foi criada em um evento singular na história, a explosão Cambriana, nunca foi visto algo do tipo antes ou depois. Isso também nos lembra da nossa profunda afinidade com todos os animais vivos."

Os pesquisadores ficaram especialmente entusiasmados com os fósseis de águas-vivas e anêmonas do mar.

"É diferente de tudo que eu já vi. A enorme abundância e diversidade de formas são impressionantes", descreve Gaines.

O paleontólogo Allison Daley, que não fez parte do estudo, mas escreveu uma análise na revista Science, disse ao programa da BBC Science in Action que a descoberta é uma das mais importantes nos últimos 100 anos.

"Me surpreendeu - como paleontólogo, nunca pensei em testemunhar a descoberta de algo tão incrível."

"Pela primeira vez, estamos vendo a preservação da água-viva - [quando] você pensa em água-viva hoje, elas são tão moles, tão delicadas, mas estão incrivelmente bem conservadas neste sítio arqueológico", acrescenta.

A equipe de pesquisadores está catalogando agora o restante das espécies e realizando novas escavações na região – a ideia é descobrir mais sobre o antigo ecossistema local e o processo de fossilização das criaturas.

Zhang diz que está ansioso para estudar "todas as novas espécies".

"Fico sempre entusiasmado quando conseguimos algo novo."


Fonte: G1