Prefeitura derruba casas na comunidade Porto do Capim em João Pessoa

Casas derrubadas são de moradores que aceitaram oferta de auxílio-aluguel e apartamento em condomínio popular. Maioria dos moradores não quer sair, diz líder comunitária

Por Ângela Duarte há 5 meses

Fonte: G1

Começaram na terça-feira (30) a demolição das casas dos moradores do Porto do Capim, na região central de João Pessoa, das famílias que aceitaram a proposta da Prefeitura de João Pessoa. Em março, cerca de 160 famílias receberam notificações para deixar a área para que seja iniciada a obra de revitalização da área. A Prefeitura informou que os moradores ocupam uma área de preservação permanente.

Segundo informações da líder do grupo de mulheres moradoras do Porto do Capim, Adriana de Lima, as demolições tiveram início somente nas casas das pessoas que aceitaram a proposta de auxílio-aluguel e a perspectiva da doação de uma casa por parte da Prefeitura de João Pessoa. Ela conta que uma minoria assinou o acordo para sair das casas.

G1 tentou falar com a secretária de Habitação de João Pessoa, Socorro Gadelha, mas as ligações não foram atendidas.

“Das 200 famílias que a gente tem na região do Porto do Capim, tivemos conhecimento que apenas 26 assinaram o acordo com a prefeitura. Eu posso dizer que algumas delas não moram há muito tempo aqui, não têm raízes, vínculo com o lugar”, explicou.

Há cerca de dois meses, as notificações para desocupar a área gerou um protesto no Centro de João Pessoa. Na época, os moradores não tinham aceitado a transferência para um condomínio popular na comunidade Saturnino de Brito, no bairro de Cruz das Armas.

Para Adriana de Lima, o grande problema foi a Prefeitura de João Pessoa não ter negociado coletivamente, mas individualmente com cada um dos moradores. Ela conta que tem pessoas que moram na área há cerca de 50 anos, idosos que não querem deixar suas casas para morar em um lugar diferente.

“Nossa preocupação é que essa demolição nos atinge psicologicamente, para que as pessoas aceitem por medo. Isso nos afeta. Tem gente que não está trabalhando pra não sair de casa, com medo. Estamos tentando fazer o papel de fiscal e resistindo até a prefeitura negociar”, relatou Adriana de Lima.

Projeto alternativo

Os moradores do Porto do Capim reclamam que o executivo municipal afirma que a área é insalubre, além de ser de proteção ambiental. Mas, segundo a liderança da associação de moradores, nunca houve um trabalho por parte da prefeitura de promover melhorias que dessem qualidade de moradia às pessoas da área.

“A comunidade tem muitas necessidades, que a prefeitura nunca se fez presente pra atender nossas necessidades, que é um dever deles”, reclama Adriana. A associação dos moradores informou que um projeto feito em parceria com estudantes e professores da UFPB foi feito e apresentado pela Prefeitura de João Pessoa, mas que a proposta não foi aceita pela prefeitura.

“Pedimos ao pessoal da UFPB para fazer um estudo alternativo, mostrando à prefeitura que é possível construir o parque ecológico com a comunidade. Mas eles querem varrer a comunidade, colocar pra bem longe”, lamentou uma das líderes dos moradores do Porto do Capim.

De acordo com a comunidade do Porto do Capim, o primeiro projeto apresentado pela prefeitura afetava quatro área da comunidade: Vila Nassau, Praça 15, Frei Vital e Rua Porto do Capim. Depois da revolta por parte dos moradores, o poder executivo municipal recuou e apresentou uma proposta de interfere apenas nas áreas da Vila Nassau e Praça 15, conforme Adriana de Lima. Os moradores afirmaram que não vão deixar o local até abrir o diálogo com a prefeitura.