Juan Guaidó denuncia Nicolás Maduro por tentar 'golpe no Parlamento' e convoca novos protestos

Após prisão de vice da Assembleia Nacional, Guaidó afirmou 'dar como certo' a prisão dele mesmo e de outros deputados.

Por Ângela Duarte há 4 meses

Fonte: G1

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou nesta quinta-feira (9) que o regime de Nicolás Maduro tenta dar um golpe na Assembleia Nacional – que é comandada pelo líder oposicionista. Ele também convocou novos protestos para o sábado.

Durante entrevista coletiva, Guaidó disse acreditar que o regime vai prendê-lo. Na noite de quarta-feira, equipes do serviço de inteligência venezuelano prenderam o vice-presidente da Assembleia, Edgar Zambrano.

"Damos como certo a escalada repressiva do regime. Vão continuar detendo deputados e vão prender o presidente interino", declarou Guaidó.

O líder da oposição também disse que a Venezuela "cruzou a 'linha vermelha' há muito tempo". "Só tem uma saída, muito clara: aumentar a pressão com a Operação Liberdade e com ajuda internacional", emendou Guaidó.

Preso pelo guincho

Forças de segurança controladas pelo regime de Nicolás Maduro cercaram e prenderam o vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Edgar Zambrano, na noite de quarta-feira.

Segundo relato do próprio Zambrano, publicado nas redes sociais, os guardas do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) cercaram e guincharam o carro onde estava o político. Ele foi levado ao Helicoide, prédio em Caracas que guarda opositores ao regime de Maduro.

"Usaram um guincho para nos levar à força ao Helicoide", relatou o oposicionista.

Ele é um dos políticos que teve a imunidade parlamentar cassada pela Assembleia Constituinte – organismo controlado pelo regime chavista – na terça-feira. Além de Zambrano, os partidários de Maduro também cassaram os direitos de outros seis deputados que apoiaram os protestos da semana passada.

Em 30 de abril, Guaidó convocou protestos ao afirmar que havia conquistado o apoio das Forças Armadas. Segundo ele, era a etapa final da chamada "Operação Liberdade", organizada para retirar de vez Maduro do poder. No mesmo dia, o opositor Leopoldo López deixou a prisão domiciliar.

O movimento, entretanto, foi fortemente reprimido por forças pró-Maduro. Cinco pessoas morreram, e 239 ficaram feridas.