Mulher dá à luz em cima de árvore durante passagem do ciclone em Moçambique

Entre os galhos, a mulher começou a sentir as contrações e, ali mesmo, nasceu a bebê Sara

(Foto: Reprodução)
Por Ângela Duarte há 7 meses

ClickPB / G1

Em meio à destruição causada pelo ciclone Idai no sudeste da África, que matou centenas de pessoas em três países, uma história impressionou os representantes da Unicef na região. Uma mãe deu à luz um bebê em cima de uma árvore no centro de Moçambique, país mais afetado pelos estragos da tempestade.

A mulher, identificada apenas como Amélia, relatou à Unicef que estava em casa com o outro filho, de 2 anos, quando começou uma enchente. Eles viviam no vilarejo de Dombe, no centro de Moçambique, devastado em decorrência das cheias causadas pelo ciclone que passou entre 14 e 15 de março pelo país.

"Sem aviso, a água começou a entrar dentro da casa, e eu não tive outra opção a não ser subir numa mangueira próxima à minha casa", relatou Amélia.

Entre os galhos, a mulher começou a sentir as contrações e, ali mesmo, nasceu a bebê Sara. "Eu não tinha ninguém por perto para me ajudar. Estava sozinha com ela e meu filho", contou a mãe.

O drama da família apenas começava: o nível da água demorou a descer. Sem escolha, eles esperaram por socorro por dois dias de cima da árvore. "Mais tarde, os vizinhos me ajudaram a descer e chegamos a um lugar seguro", disse Amélia.

De acordo com a Unicef, a mãe e o bebê "aparentam se encontrar bem de saúde". A família recebe assistência médica e de saúde em um centro para pessoas afetadas pelo ciclone, onde há outras mães.

Enchentes destruíram região

Além da devastação na cidade portuária de Beira, o ciclone causou estragos no interior de Moçambique e em Zimbábue e Malaui principalmente por causa das enchentes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), há mais de 146 mil pessoas desabrigadas apenas em Moçambique. Lá, quase 110 casas foram destruídas pelo ciclone.

Em Dombe, onde vivem Amélia e a família, há um vale que inundou por causa das cheias dos rios da região. Lá, a Unicef diz ter encontrado 3 mil pessoas sobrevivendo sem nenhum tipo de apoio após a passagem do ciclone.

Cólera em Beira

Além dos mortos e desabrigados, as autoridades locais e internacionais agora se preocupam com o cólera. Centenas de pessoas foram diagnosticados com a doença, que é causada pela contaminação de água e alimentos pelo vibrião colérico.

Segundo dados de quarta-feira (3) da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas diagnosticadas com o cólera ultrapassou 1,4 mil somente em Beira. Na data, a entidade iniciou uma campanha de vacinação contra a doença, em que distribuiu cerca de 900 mil doses no país.