Movimentação de talude em Barão de Cocais chega a 26,5 cm por dia e moradores tentam retomar rotina

Segundo ANM, o deslocamento na base do paredão é de 21,9 cm por dia

Foto: Reprodução/Globocop
Por Ângela Duarte há 3 meses

Fonte: G1

A movimentação do talude da Mina Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais, chega a 26,5 centímetros por dia em alguns pontos, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira (29). De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), a velocidade de deformação na porção inferior do paredão norte é de 21,9 centímetros por dia.

Mesmo com a tensão, os moradores da cidade tentam retomar a rotina. A aposentada Maria Madalena dos Santos Baptista comemora, nesta quarta, o primeiro aniversário fora de casa. A família dela está vivendo em uma casa alugada pela Vale há quase dois meses.

"É uma gratidão estar aqui hoje, vivos. Naquele momento em que a sirene tocou, o que vinha na nossa cabeça era a lama de Brumadinho", disse a filha de dona Maria, Isabel Cristina Baptista. Para o senhor Anísio Custódio Batista, fica a saudade da vizinhança, dos amigos e dos animais que tinham no antigo endereço.

Eles estão entre as mais de 450 pessoas que tiveram que deixar suas residências em fevereiro, por conta do aumento do risco de rompimento da barragem Sul Superior da Mina Gongo Soco.

Os serviços bancários foram retomados em Barão de Cocais na última segunda-feira (27), depois de um apelo da Defesa Civil de Minas Gerais.

O pior cenário, de acordo com a Defesa Civil do estado, é que a vibração causada pelo colapso iminente do paredão provoque o rompimento da Barragem Sul Superior, que está em nível alerta máximo desde março. Há, porém, a possibilidade de haver um carreamento de terra para dentro da cava, evitando assim um rompimento brusco.

Por meio de nota, a Vale confirmou, na terça-feira (28), que as últimas análises da movimentação do talude apontam para a maior probabilidade de um deslizamento do material para dentro da cava. Segundo a mineradora, essa hipótese diminui a possibilidade de impacto na barragem Sul Superior.

"Hoje temos mais elementos de análise sobre o comportamento do maciço, nos mostrando que está acontecendo um deslizamento para o fundo da cava. Com isso, há uma grande possibilidade do talude se acomodar dentro da cava, sem maiores consequências", explicou o diretor de Operações da Vale, Marcelo Barros, no comunicado.

A movimentação do talude foi identificada em 2012 e, até os últimos meses, ela era de 10 cm por ano. Em um documento enviado ao Ministério Público de Minas Gerais pela Vale, a engenheira geotécnica Rafaela Baldi explica por que o talude está se movimentando. “É comum que parte do talude que fica mais no alto se desprenda. O talude está 'pelado', foi escavado e está solto, lá em cima. Com as vibrações típicas da atividade minerária, esta estrutura vai se desestabilizando e pode cair sobre a cava. Mas, pelo alerta feito, deve ter um problema geológico na área a ser considerado”, concluiu.

Em nota, a Vale informou que "adotou todas as medidas preventivas em Barão de Cocais, desde o dia 8 de fevereiro, com o objetivo de assegurar a segurança dos moradores da região". A mineradora afirmou também que "tanto o talude da mina de Gongo Soco como a Barragem Sul Superior estão sendo monitorados 24 horas por dia e as previsões sobre deslocamento de parte do talude, revistas diariamente".

Dam break

Um estudo apresentado pela Vale ao MPMG, com o pior cenário possível para o caso de a barragem Sul Superior se romper, mostra provável “inundação generalizada de áreas rurais e urbanas” com mortes, especialmente no distrito de Socorro e nas cidades de Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

A descrição do potencial de inundação caso a barragem se rompa apresenta ainda a possibilidade de problemas relacionados ao abastecimento de água, impactos em área de preservação permanente, nas faixas marginais ao leito dos cursos de água, danos estruturais nos acessos locais de terra, rodovias e fornecimento de energia elétrica.