Homem confessa ter matado menina de 6 anos por vingança após festa, diz polícia

Suspeito disse que tirou criança do quarto dela e a matou após ficar 'descontrolado' devido a desentendimento em festa. Polícia acredita que menina foi estuprada, mas homem nega

Foto: Arquivo Pessoal/Diana Soares
Por Ângela Duarte há 6 meses

Fonte: G1

Rodrigo de Paula Sales, homem de 28 anos de idade apontado como autor do homicídio da menina Kauani Cristhiny Soares Rodrigues, de 6 anos, confessou à polícia que tirou a criança dormindo de uma casa em Mongaguá, litoral de São Paulo, e a matou por vingança na madrugada do último dia 17.

A informação foi confirmada pela Polícia Civil nesta terça-feira (23). O corpo da menina foi encontrado seminu em uma vala na cidade paulista. A suspeita é que a criança também tenha sido estuprada antes de morrer, mas o homem nega. Exames foram solicitados para apurar o crime.

Em depoimento à polícia, Rodrigo de Paula Sales afirmou que houve um desentendimento durante uma festa na casa onde a garota vivia e que, por isso, acabou ficando "revoltado" e "descontrolado". Ele não soube explicar o que ocorreu para que a confusão começasse, mas disse que a discussão se deu por conta do excesso de bebida.

Segundo informações da polícia, Sales carregou a criança nos braços ainda dormindo e a levou até a vala, onde ocorreu o homicídio. Durante novo depoimento, o homem afirmou que esganou a menina e a jogou no local.

Segundo o delegado titular da Delegacia de Polícia de Mongaguá, Rui de Matos, duas vítimas informaram terem sido estupradas pelo homem. De acordo com Matos, a polícia só saberá se houve estupro após o resultado do exame de corpo de delito, que deverá ser divulgado ainda nesta terça-feira.

Corpo encontrado em vala

O corpo da menina foi localizado no início da noite de segunda-feira (22), seminu, em uma vala em meio a uma região de mata às margens da avenida Sorocabana. O local fica a aproximadamente 10 quadras do imóvel em que ela morava com a mãe e o irmão, na avenida Governador Mario Covas Júnior, no Parque Marinho, onde a menina foi vista pela última vez.

O suspeito é morador de rua e foi identificado após imagens de câmeras de monitoramento, que registraram movimentação suspeita na ocasião do sumiço, na madrugada de quarta-feira (17). Quando abordado pelos investigadores, ele afirmou inicialmente que deixou a menina viva na vala, mas negou que a tenha estuprado ou causado algum ferimento.

Os policiais apuraram que, na noite anterior ao desaparecimento, o homem esteve na casa onde a menina morava, durante uma festa. A família de Kauani vive em um imóvel ocupado, que anteriormente era utilizado como um restaurante. O homem disse que naquele dia estava bêbado e saiu do imóvel levando a menina, mas não disse o motivo.

O corpo de Kauani foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Praia Grande, onde os exames vão apontar se ela também foi abusada sexualmente.

Desaparecimento e buscas

Kauani desapareceu enquanto dormia na madrugada de quarta-feira (17). Por volta das 2h, a mãe notou que a filha não estava no quarto e que a porta da frente da casa estava aberta. A residência fica no bairro Parque Marinho, nas proximidades da plataforma de pesca.

"Quando foi 1h, o meu outro filho começou a chorar e eu fui botar ele pra dormir comigo. Quando fui colocá-lo de volta na cama dele, às 2h, a cama da Kauani estava vazia, ela tinha sumido e a porta da frente da casa estava aberta", relatou a mãe, que acreditava em sequestro.

Diana acionou a Polícia Militar e, desde então, familiares, conhecidos e voluntários faziam buscas pela menina pelo município. Um boletim de ocorrência de desaparecimento foi registrado no 2º Distrito Policial de Mongaguá, que passou a investigar o caso.

No domingo (21), o delegado Francisco Wenceslau, titular do 2º DP, relatou as linhas de investigação que tinham sido traçadas e revelou que cães farejadores seriam utilizados para auxiliar nos trabalhos. A equipe dele também analisou imagens de câmeras de monitoramento.