Vital: o estrategista implacável - Ytalo Kubitschek

Passados quatro anos, relembro algumas de suas previsões.

Por Ytalo Kubitschek há 2 meses

O mês era outubro. O ano era 2014. Dias após o anúncio oficial do PMDB da Paraíba à candidatura do governador Ricardo Coutinho (PSB), que perdera o primeiro turno para Cássio Cunha Lima (PSDB), por 28 mil votos de diferença, eis que meu telefone toca. 

Do outro lado da linha o senador Vital do Rêgo Filho, o mais sagaz e hábil estrategista político que a Paraíba já teve, a quem fiz assessoria, de maneira privilegiada, nas eleições de 2014.

Eticamente, havia me afastado dos microfones e das redações para exercer esse outro ofício. 

- Amigo Ytalo, preciso conversar com você. Estou hospedado no Hardman de Manaira.

 - Claro senador, chegarei em instantes. 

Chegando ao local, sou recebido com sorriso estampado no rosto por um Vital radiante com os últimos acontecimentos, acompanhado do inseparável e sempre simpático ex-deputado Neto Franca. 

Segue o diálogo:

- Ytalo, que coisa boa poder falar com você agora com calma. Fiquei lhe devendo uma atenção nesses dias de loucura em Brasília antes do nosso anúncio, mas preciso lhe informar uma outra decisão importante. 

- Pois não senador, qual é? 

- Estou me preparando para renunciar o mandato. 

- Como assim? 

- Surgiu a possibilidade de uma indicação para o TCU, que é vitalícia, e o meu nome já recebeu a maioria dos apoios no Senado. Já conversei com Lira e estou aos poucos fazendo à transição. 

- E por que aceitar agora senador, com mais quatro anos pela frente, outras vagas no TCU não podem ser abertas mais na frente? 

- As minhas condições de reeleição com Ricardo e Cássio na disputa serão difíceis. Voto quem tem é Vené, vou prepará-lo para essa missão de me substituir. 

- E Lira? 

- Lira é bom nos bastidores, mas não vai ter mais paciência de disputar uma eleição. Eu acho que se Vené não vencer em Campina, que vai ser uma eleição muito difícil, ele vai concorrer à minha cadeira no Senado com muito mais chances do que eu teria. 

- Vitalzinho, e se Ricardo ganhar a eleição agora, vai renunciar para disputar o Senado em 2018?

- Se fosse eu renunciaria com certeza. Mas Ricardo é imprevisível. Ele sabe que se for candidato, é uma cadeira certa. Mas Ricardo é Ricardo. 

- Imagina ele entregando o governo à Lígia? 

- Ele me disse que não pode ficar pensando nisso para não enlouquecer. 

E Cássio? 

- Esse tá arrasado com a nossa adesão. Os Cunha Lima são muito fortes de chegada e nunca perderam, mas dessa vez é diferente. Não calcularam o xeque-mate do PMDB. O quadro é irreversível. 

Algumas das previsões de Vital, alguns dias antes do segundo turno das eleições de 2014. 

Observações: 

* Os mais de 100 mil votos obtidos por ele no primeiro turno foram transferidos em sua integralidade para Ricardo Coutinho, que virou a eleição e derrotou Cássio Cunha Lima. 

* Raimundo Lira não disputará reeleição. Veneziano será candidato a senador. Ricardo Coutinho contrariou a lógica e não entregou o governo à Lígia Feliciano. 

* Passados quase quatro anos, faço o justo registro de que este cidadão é o mais pragmático e implacável estrategista que já conheci. 

Ytalo Kubitschek