Acidente na CSN deixa trabalhadores com sinais de intoxicação em Volta Redonda

Funcionários inalaram pó, diz Companhia Siderúrgica Nacional. Acidente aconteceu no setor de aciaria, onde o ferro-gusa é transformado em aço

Foto: Arquivo pessoal
Por Ângela Duarte há 5 meses

Fonte: G1

Uma acidente na Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, em Volta Redonda, no Sul do Rio de Janeiro, deixou 30 funcionários com sinais de intoxicação na manhã desta quarta-feira (15). A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense.

O acidente aconteceu no setor de aciaria, onde o ferro-gusa é transformado em aço. Houve um grande barulho de estouro no início da manhã. Pela cidade, também era possível ver no céu uma grande nuvem de fumaça saindo da siderúrgica, na altura da Vila Santa Cecília.

Em nota, a CSN explicou que houve uma reação que provocou um deslocamento de ar durante a retirada de escória da panela de aciaria, e os funcionários que estavam no local inalaram pó.

"A CSN informa que o incidente registrado hoje ocorreu durante atividade de transferência de escória líquida que, provavelmente, teve contato com pontos de umidade no interior do pote de descarte. Este contato gerou deslocamento de ar, proporcionando grande desprendimento de poeiras no setor", informou, através da assessoria de comunicação.

Dos 30 trabalhadores atingidos, nove receberam atendimento da equipe médica da CSN e 21 foram encaminhados para o Hospital das Clínicas de Volta Redonda, por precaução. Eles ficaram em observação até o início da tarde e, por volta das 14h45, todos já haviam sido liberados, com a orientação de retornar ao hospital caso passem mal durante o restante do dia.

A Companhia Siderúrgica Nacional também disse que "nenhum equipamento relevante foi afetado e a produção da aciaria já está normalizada". Informou ainda que todos os órgãos competentes foram informados, e que a empresa está investigando as causas do acidente.

5º acidente nos últimos 12 meses

Este foi o quinto acidente nos últimos 12 meses na Companha Siderúrgia Nacional. O caso mais grave aconteceu no dia 14 de agosto de 2018. O funcionário Daniel Silvério Bragança, de 34 anos, teve 85% do corpo queimado durante uma atividade de manutenção na área de laminação a frio — setor responsável pelo corte do aço. Ele chegou a ser transferido de avião para um hospital especializado em São Paulo, mas morreu dois dias depois.

Dez dias depois, um princípio de incêndio foi registrado no pátio de matérias-primas, mas ninguém ficou ferido. No dia 2 de dezembro, um funcionário foi hospitalizado depois de inalar gases, após um vazamento no setor da coqueria. Ele ficou em observação e recebeu alta no mesmo dia.

No dia 30 de março de 2019, sete funcionários foram levados ao hospital pelo mesmo motivo desta quarta-feira: inalaram fumaça depois de uma reação que provocou um deslocamento de ar no setor da aciaria. Dois trabalhadores precisaram ficar internados, um deles na UTI, e receberam alta dias depois.