Conheça o esconderijo paradisíaco de Tóquio e Rio em ‘La Casa de Papel’

Além da vista maravilhosa, o lugar é conhecido pela autonomia das mulheres e a aceitação do chamado "terceiro sexo".

Foto: Netflix / Reprodução
Por Ângela Duarte há 3 meses

Por: M de Mulher

A espera pela terceira parte de “La Casa de Papel” finalmente terminou. Na última sexta-feira (19), a Netflix disponibilizou os oito episódios da nova temporada para os fãs, que estão com comentários a todo vapor sobre a trama. Só que, mais do que novidades sobre os personagens, a série mostrou uma locação de tirar o fôlego ainda no trailer – e mais detalhes dela no primeiro episódio. O lugar se chama Guna Yala, também conhecido como San Blas, um arquipélago com mais de 300 ilhas paradisíacas na costa leste do Panamá. 

O local aparece já nos cinco primeiros minutos da terceira temporada, com uma imagem de cima da Ilha Pelicano, que faz parte do arquipélago. Não se sabe se foi exatamente nessa ilha em que a gravação foi feita, já que são mais de 300 opções disponíveis. A única certeza é de que o lugar realmente pertence a Guna Yala, com águas cristalinas e uma natureza exuberante que nos faz desejar férias mais do que nunca.

Ainda que possa parecer surreal uma situação como a que Rio (Miguel Herrán) e Tóquio (Úrsula Corberó) navegam tranquilamente em uma balsa de madeira e a ideia de viver livremente em meio às arvores, saiba que essa é a realidade de muitos moradores de Guna Yala.

Como mostra uma reportagem feita pela BBC, 49 das ilhas do arquipélago são majoritariamente indígenas. Nesses lugares, os gunas vivem com barcos de madeiras cobertos de folhas de palmeiras, redes penduradas e fogueiras para esquentar e dar luz quando preciso.

Só que mais do que um belo lugar, o arquipélago chama a atenção por ser uma região em que é possível transitar entre os gêneros masculino e feminino. Isso significa que se um menino começa a ter características consideradas socialmente femininas, e até se identifica com uma garota, ele pode viver desse jeito em Guna. A população de lá reconhece a existência de um terceiro gênero, chamado de omeggid. A principal transição é de homens para mulheres – o contrário tende a ser raro, mas também é aceito. 

Também é surpreendente como as mulheres tem autonomia no local, principalmente no trabalho e nas relações interpessoais. Quando um jovem se casa, é ele quem deve se mudar para a casa da esposa e não o contrário. Além disso, é ela quem decide se o marido pode dividir os bens do casal com a família dele.

E a festa do casamento é uma das três celebrações mais importantes por lá. Os gunas também comemoram o nascimento de cada mulher e a entrada na puberdade. Como? Com uma boa dose da cerveja forte do local, chamada chicha.

Mesmo com muitos pontos positivos, uma ressalva é importante sobre o local. Enquanto que as mulheres têm um papel bem definido dentro da sociedade, com os transexuais ainda existe a marginalização. Mesmo que o gênero omeggid seja amplamente legitimado, ainda existe uma barreira sobre o reconhecimento dessas pessoas dentro da sociedade e sobre o que elas podem ou não fazer no trabalho, por exemplo.

Como chegar até lá?

Ficou interessada no lugar e já está preparando a viagem? Pois saiba que é uma missão meio difícil, mas não impossível. O primeiro passo para chegar até Guna é pegar um avião até o Panamá. Voos diretos até o local partem de São Paulo, Rio Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Porto Alegre e Manaus em direção ao Aeroporto Internacional de Tocumen, na capital, a Cidade do Panamá. 

Depois, você deve ir até os portos de Barsukun ou Carti. É a partir deles que os turistas vão de barco até as ilhas de Guna Yala. 

Para chegar a esses portos a maioria das pessoas encara uma viagem de carro, que começa entre as cinco e seis horas da manhã. Por ser um caminho bem desafiador no meio de uma floresta, o indicado é contratar o serviço disponível no local, com carros que saem da capital com motoristas especializados. Nesse depoimento pessoal feito pela viajante Monique Renne, ela alerta sobre como as curvas são bem enjoativas e não é o caminho mais tranquilo do mundo.

Mas, como relata a influenciadora Dani Noce, também dá para pegar um avião até a zona portuária – só que há poucos voos e eles costumam ser bem caros.